A Polícia Civil pauliista investiga mortes de bebês e crianças atendidos no Hospital Salvalus, na Mooca, Zona Leste da capital. O 8º Distrito Policial (Brás) apura seis casos, mas, segundo a assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que atende familiares de vítimas, há relatos de pelo menos 36 mães que perderam os filhos na unidade ao longo de aproximadamente nove meses. Ela mantém contato com 18 dessas mulheres e presta assistência para três famílias.
Os casos são apurados ainda pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren), Conselho Regional de Medicina (Cremesp). Os centros de Vigilância Sanitária e de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo informaram que após a repercussão do caso, realizaram uma inspeção na unidade para averiguar as circunstâncias de "35 óbitos de bebês.
As suspeitas envolvem possíveis infecções adquiridas durante as internações, falhas na assistência médica e inconsistências em prontuários. O caso inicialmente foi revelado pelo portal Metrópoles. Segundo a assistente jurídica informou para O GLOBO, as mães começaram a compartilhar informações sobre os casos depois de conviverem durante as internações dos filhos. Ao comparar os relatos, passaram a suspeitar de um possível padrão nas mortes. As hipóteses ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
A reportagem teve acesso a documentos relacionados a esses casos, como boletins de ocorrência e certidões de óbito. Entre as causas de morte em comum aparecem quadros de sepse, insuficiência respiratória aguda e complicações pulmonares, choque séptico e insuficiência renal aguda.
Em nota, o hospital informou que "trata os casos com máxima seriedade" e que os pacientes mencionados apresentavam condições clínicas distintas e as mortes "não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica" (veja mais ao fim da matéria).
Famílias abriram boletins de ocorrência
Entre os casos relatados está o de um menino de 7 meses, que morreu em 30 de julho de 2026. Segundo a família informou em boletim de ocorrência, o bebê foi levado pela primeira vez a um hospital particular na Zona Norte em abril e foi diagnosticado com uma infecção na garganta. Um dia depois, a mãe retornou com o bebê a uma unidade de saúde, porque a criança tinha piorado, e foram identificados sinais de uma possível infecção pulmonar.
O menino foi transferido para uma unidade com UTI, o Salvalus, já em estado grave e tendo que ser sedado e induzido ao coma para tratamento. Um acesso venoso foi feito pelo pé, o que teria ocasionado posteriormente um problema.
“O pé esquerdo da criança, no qual havia sido realizado o acesso venoso periférico, teria evoluído para quadro de necrose”, informou a mãe para a polícia. A criança foi transferida da UTI para a enfermaria ainda em estado de coma, o que causou preocupação na mãe. Um médico teria dito para ela que “a enfermaria seria mais segura em razão da concentração de bactéria existentes na UTI”.
Em 30 de julho, a criança morreu, após três meses de internação. A certidão de óbito aponta choque séptico, sepse e pneumonia entre as causas da morte.
Outra morte foi a de uma bebê de 1 ano e 1 mês, que faleceu em 28 de maio de 2026, na UTI Pediátrica do Hospital Salvalus. Ela havia sido internada no local em 17 de dezembro de 2025, após ser transferida de Ferraz de Vasconcelos, e ficou hospitalizada no Salvalus até falecer. A mãe informou para a polícia que durante a internação, a criança contraiu uma infecção e morreu. Na certidão de óbito da criança consta como causa da morte choque e sepse.
Há ainda um caso em que a mãe relata um episódio de suposta negligência médica de profissionais do hospital. Um bebê de dois meses de idade morreu em abril deste ano dentro do hospital. A mãe relatou em boletim de ocorrência que a criança nasceu com dificuldades respiratórias e foi levada para a UTI da maternidade.
Em 16 de abril, dois fisioterapeutas estariam atendendo a criança sem máscara ou luvas quando o nível de oxigênio do bebê começou a cair rapidamente. Eles tentaram usar então um aparelho do tipo ambu para auxiliar na recuperação dos níveis de oxigênio, mas o equipamento não estava conectado corretamente e precisava de uma extensão. A situação demorou a ser resolvida e a criança passou por uma parada cardíaca. O quadro piorou desde então, segundo a mãe, e o bebê morreu em 30 de abril.
Da Redação Sala Estados com o Globo




