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Hoje, 31 de Julho de 2026
Judiciário

Assassino da ex e do namaorado dela fez 914 ligações para o casal em 18 dias

Revelação foi feita pela Investigadora de Policia Lívia Sales à Justiça como testemunha

Assassino da ex e do namaorado dela fez 914 ligações para o casal em 18 dias

A revelação de que Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, filho do ex-Governador de Mato Gfrosso, Carlos Bezerra, realizou 914 ligações telefônicas para a ex-namorada Thays Machado(na foto com o namorado William) em apenas 18 dias deu a dimensão da perseguição obsessiva travada antes do duplo homicídio.

A informação foi prestada pela investigadora de Polícia Civil Lívia Cristina Silva Sales, quarta testemunha ouvida no Tribunal do Júri de Cuiabá hoje (31). Logo em seguida, em seu interrogatório, o réu confirmou que anotava em um caderno os contatos telefônicos feitos pela vítima.

Segundo a investigadora responsável pela extração de dados dos quatro celulares do réu, a média de mais de 50 ligações diárias ocorreu entre 31 de dezembro de 2022 e 18 de janeiro de 2023, data em que Thays e o namorado, Willian César Moreno, foram assassinados.

  A policial destacou que, em todas as investidas, Carlinhos recebeu negativas da ex-companheira, que reafirmava o fim do relacionamento. A perícia revelou ainda que o acusado chegou a pagar R$ 550 a uma cigana para tentar reatar o namoro.

   Confrontado com os dados da perseguição (stalking), Carlinhos Bezerra admitiu aos jurados que mantinha um caderno no qual separava nomes e números de homens e mulheres que contatavam Thays, incluindo a anotação sobre um suspeito que "não conhece a Thays".

Ele negou, contudo, que ligasse para checar os contatos ou que usasse aplicativo espelho de localização sem o consentimento dela. Ao tentar explicar a recusa em aceitar a separação após três anos e sete meses, declarou apenas que "estava com dificuldade de aceitar o término por ser canceriano".

Ao narrar o momento dos disparos, o acusado alegou que não estava perseguindo as vítimas. Disse ter passado de carro em frente ao prédio da mãe de Thays, dado ré e parado a três metros para perguntar por que ela não o atendia. Segundo Carlinhos, Willian teria caminhado em sua direção proferindo xingamentos como "corno e babaca" e ido "para cima" do veículo.

O réu alegou ter ficado com medo de apanhar ou levar um golpe de "mata-leão" de Willian e, por isso, sacou a arma e atirou de dentro do carro. Ele admitiu que possui apenas o registro antigo do armamento, sem porte legal, e que nunca havia praticado tiros em estandes.

Tentando afastar a premeditação, Carlinhos declarou que a tragédia ocorreu por um detalhe banal de tempo. Em depoimento aos jurados, disse: "se ela [Thays] tivesse deixado cair a chave no chão, em dois segundos evitaria o crime". Na mesma linha, completou dizendo que "se tivesse ido a 5 km/h a mais, não teria visto e o crime não teria acontecido".


Da Redação Sala com ReporterMT

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