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Hoje, 2 de Setembro de 2026
Agronegócio

Avanços: Veja aqui a evolução das cadeias de produção da Avicultura

As aves comerciais brasileiras passaram a apresentar elevado valor produtivo

Avanços: Veja aqui a evolução das cadeias de produção da Avicultura

A avicultura é uma das cadeias de produção animal que mais evoluiu nas últimas décadas. Avanços em genética, nutrição, sanidade e manejo impulsionaram ganhos expressivos em produtividade, permitindo que as aves alcancem índices produtivos antes considerados inalcançáveis. 

Paralelamente ao progresso genético, a atividade avícola incorporou tecnologias, sistemas automatizados de monitoramento e ferramentas de análise de dados, tornando os processos mais precisos e favorecendo tomadas de decisão cada vez mais rápidas e assertivas. Como resultado, as aves comerciais passaram a apresentar elevado potencial produtivo, crescimento acelerado e exigências nutricionais, sanitárias, ambientais e de manejo cada vez mais específicas do que aquelas observadas a algumas décadas atrás (Berckmans, 2017; Li et al., 2020).

Ao mesmo tempo em que a produção avícola se tornou mais tecnificada, o mercado passou a demandar sistemas de produção cada vez mais sustentáveis, seguros e alinhados ao uso responsável de antimicrobianos. Consumidores, indústrias e órgãos reguladores passaram a valorizar práticas que promovam a segurança dos alimentos, o bem-estar animal e a mitigação da resistência antimicrobiana. 

Nesse contexto, os antibióticos promotores de crescimento, historicamente utilizados para melhorar o desempenho zootécnico e auxiliar no controle de desafios entéricos (Dibner & Richards, 2005; Castanon, 2007), tiveram seu uso progressivamente restringido em diversos países. Como consequência, a manutenção da produtividade passou a depender cada vez mais de estratégias integradas envolvendo manejo, biosseguridade, nutrição e saúde das aves.

Mais do que uma mudança regulatória, esse movimento deslocou o foco da produção avícola para estratégias preventivas, baseadas em sistemas produtivos mais equilibrados, resilientes e sustentáveis. Tornou-se evidente que nenhuma tecnologia, aditivo ou programa nutricional é capaz de compensar falhas relacionadas ao ambiente, à biosseguridade ou às práticas de manejo.

Essa mudança torna-se ainda mais relevante quando se considera a evolução genética das aves comerciais. Embora os avanços tenham proporcionado ganhos extraordinários de desempenho, eles também reduziram a margem para erros dentro do sistema produtivo. 

As linhagens atuais apresentam crescimento acelerado, elevada eficiência alimentar e alto potencial produtivo, mas são igualmente mais sensíveis às variações ambientais, nutricionais e de manejo. Dessa forma, pequenas falhas, muitas vezes imperceptíveis no dia a dia da granja, podem comprometer a conversão alimentar, a uniformidade do lote, o bem-estar animal e, consequentemente, a rentabilidade da produção (Estevez, 2021).

Nesse contexto, o manejo deixa de ser apenas um conjunto de atividades operacionais e consolida-se como um dos principais pilares da avicultura moderna. Práticas relacionadas à ambiência, biosseguridade, qualidade da água, manejo da cama, densidade de alojamento e monitoramento dos lotes influenciam diretamente a exposição das aves a agentes infecciosos, os níveis de estresse, a saúde intestinal e a resposta imunológica, fatores determinantes para o desempenho e a sustentabilidade dos sistemas de produção.

Entre os diversos componentes do manejo avícola, a ambiência ocupa posição de destaque por influenciar diretamente o bem-estar, a fisiologia e o desempenho das aves. Temperatura, umidade relativa, qualidade do ar e luminosidade, atuam de forma integrada sobre o conforto térmico, o comportamento, o consumo de ração, a ingestão de água e a resposta imunológica. Em aves de elevado potencial genético, mesmo pequenas oscilações nesses parâmetros podem comprometer significativamente os resultados produtivos e aumentar a suscetibilidade a desafios sanitários .

Da mesma forma, fatores frequentemente subestimados, como a qualidade da água, o manejo da cama e as práticas de biosseguridade, exercem influência direta sobre a saúde e o desempenho dos lotes. A água, por ser o nutriente consumido em maior quantidade pelas aves, desempenha papel fundamental no consumo de ração, nos processos digestivos e no aproveitamento dos nutrientes. Alterações em suas características microbiológicas e físico-químicas podem comprometer a eficiência produtiva e a saúde dos animais.

O manejo adequado da cama e a adoção de medidas eficazes de biosseguridade contribuem para a redução da pressão de desafio sanitário, a manutenção da qualidade ambiental e a promoção do bem-estar animal. Essas práticas favorecem a manutenção da saúde intestinal, contribuindo para a preservação da integridade da mucosa, o equilíbrio da microbiota e a adequada utilização dos nutrientes .

Além disso, o monitoramento contínuo de indicadores produtivos, sanitários e ambientais permite identificar desvios precocemente e adotar intervenções mais rápidas e assertivas, criando condições para que as aves expressem seu potencial produtivo .

No entanto, para que esse monitoramento e as demais práticas de manejo sejam efetivos, a qualidade da execução das atividades diárias é indispensável. A eficiência do sistema depende não apenas de protocolos bem estabelecidos e tecnologias, mas também do fator humano. 

Nesse contexto, o treinamento contínuo, as reciclagens periódicas e a conscientização das equipes são essenciais para garantir a correta aplicação dos procedimentos e fortalecer os programas de manejo e biosseguridade. Assim, investir no desenvolvimento das pessoas é tão importante quanto investir em genética, nutrição e tecnologia, pois são elas que transformam protocolos técnicos em resultados produtivos consistentes e sustentáveis.

A redução do uso de promotores de crescimento representa mais do que a substituição de uma ferramenta por outra; trata-se de uma mudança de paradigma na produção avícola. Nesse contexto, o sucesso produtivo passa a depender de sistemas mais precisos, preventivos e integrados, nos quais o manejo assume papel central ao influenciar diretamente a saúde, o bem-estar e o desempenho das aves. 

Embora novas tecnologias continuem impulsionando a evolução da avicultura, permanece uma premissa fundamental: resultados sustentáveis são construídos a partir da excelência na execução dos fundamentos da produção. Assim, o manejo consolida-se como um dos principais fatores para a expressão do potencial produtivo das aves e para a competitividade da avicultura moderna.


Da Redação Sala Agronegócios com Agroceres

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