A soja em grão é considerada uma das oleaginosas mais ricas e amplamente disponível no mundo, destacando-se como importante fonte de proteína e energia. A produção mundial de soja está concentrada em poucos países, sendo que Brasil, Estados Unidos, Argentina e China responderam, juntos, por cerca de 85% da produção global ao longo de todo o século XXI. Na safra 2022/2023, o Brasil produziu 156 milhões de toneladas de soja em grão, consolidando-se como um dos principais produtores mundiais.
Fatores como a qualidade nutricional da soja, ampla disponibilidade, custo relativamente baixo, alto rendimento das sementes e facilidade de rotação agrícola com cereais, são responsáveis pela preferência de uso da soja como fonte proteica nas dietas dos animais. A soja é composta por quantidades altas de óleo (~20%) e proteínas (~40%) constituídas de aminoácidos balanceados e facilmente digeríveis.
Apesar das vantagens da soja, ela apresenta fatores antinutricionais que inviabilizam seu consumo sem processamento. Segundo Dei (2011), os fatores antinutricionais são compostos naturais presentes em alimentos de origem vegetal, responsáveis por reduzir o aproveitamento dos nutrientes, com consequentes efeitos prejudiciais para o desempenho e saúde dos animais.
Dentre os diversos fatores antinutricionais presentes na soja, destacam-se os inibidores de tripsina e quimiotripsi, que representam cerca de 80% e 20%, respectivamente, na soja crua. De acordo com, os inibidores de tripsina são compostos proteicos que prejudicam a digestão de proteínas alimentares por se complexarem com a enzima pancreática, denominada tripsina.
Devido à ligação com a tripsina, as cadeias proteicas não são quebradas adequadamente e a liberação dos aminoácidos para absorção intestinal é prejudicada. Com a redução de tripsina no intestino delgado, o pâncreas, consequentemente, aumenta sua secreção ocasionando hipertrofia pancreática, podendo desencadear queda do crescimento e da produção.
Além disso, citam que a hipertrofia pancreática pode aumentar a secreção de tripsina, a perda de nitrogênio endógeno e pode estar correlacionada com a observação da síndrome de passagem rápida de alimento em frangos de corte e matrizes pesadas a campo.
As lectinas também são importantes fatores antinutricionais presentes na soja. O principal modo de ação das lectinas é a capacidade de se ligar a moléculas contendo carboidratos nas células epiteliais da mucosa intestinal, o que pode resultar no rompimento das microvilosidades intestinais, encurtamento das vilosidades, comprometimento da digestão e absorção de nutrientes, aumento da perda endógena de nitrogênio, proliferação bacteriana e aumento do peso e tamanho intestinal .
Outros fatores antinutricionais encontrados na soja são as proteínas alergênicas, glicinina e ß-conglicinina que, igualmente, interferem na absorção de nutrientes e podem provocar danos às microvilosidades do intestino delgado, comprometendo sua integridade funcional. Polissacarídeos não-amídicos solúveis (moléculas de polissacarídeos com exceção do amido) também são responsáveis por reduzir o desempenho dos animais. Ácido fítico que reduz a disponibilidade de minerais; goitrogênios responsáveis por inibir a produção de iodo e uso da tiroxina; lipase e lipoxidase que promovem a oxidação e rancificação do óleo de soja; fatores antivitaminas A e E; saponinas; estrógenos e fatores flatulentos que reduzem a absorção de nutrientes.
Dentre os fatores antinutricionais anteriormente citados, os inibidores de tripsina, lectinas e goitrogênios são fatores termolábeis, ou seja, podem ser inativados por meio de tratamento térmico adequado durante o processamento da soja. Por outro lado, os oligossacarídeos e fitato são considerados termoestáveis, o que significa que não são facilmente destruídos pelo calor, permanecendo ativos mesmo após o aquecimento. Essa distinção é fundamental, pois indica que o processamento térmico é eficaz na redução de alguns fatores antinutricionais, mas não de todos, exigindo a adoção de outras estratégias.
Para mitigar os efeitos dos fatores antinutricionais termoestáveis, o uso de enzimas exógenas, como as proteases, tem se mostrado eficiente. As enzimas contribuem para a redução da ação dos fatores antinutricionais, além de melhorar a disponibilidade dos nutrientes presentes nas rações, aumentar o valor nutricional dos ingredientes e minimizar possíveis erros na estimativa do conteúdo nutricional durante a digestão e absorção.
Por outro lado, no caso dos fatores antinutricionais termolábeis, a aplicação de tratamento térmico adequado permite melhorar a qualidade nutricional da soja e de seus subprodutos, principalmente pela redução da atividade de inibidores de protease e lectinas.
Ressaltam que a eficácia da inativação desses inibidores por meio do aquecimento está relacionada a fatores como temperatura, tempo de exposição ao calor, pressão aplicada, teor de umidade e granulometria do material. Em suma, o processamento da soja é fundamental para eliminar componentes indesejáveis, aumentar a disponibilidade dos nutrientes e melhorar a palatabilidade do produto.
Os tipos de processamento que podem ser utilizados na soja são a tostagem por tambor rotativo, tostagem por vapor úmido, tostagem por vapor seco, tostagem por “jet sploder”, micronização, extrusão úmida ou seca. Por conseguinte, evidenciam que diversos produtos oriundos do processamento das sementes de soja podem ser utilizados na nutrição animal, como por exemplo o farelo de soja, torta de soja, óleo de soja, soja integral extrusada, proteína isolada de soja e casca de soja.
Dentre eles, o farelo de soja, subproduto do processamento do grão, é a principal fonte proteica utilizada na formulação de rações para aves e suínos em escala global, os quais respondem por cerca de dois terços do consumo mundial desse insumo. Quanto ao processamento do farelo de soja, existem dois processos para extração do óleo. O primeiro é o processo de expulsão, no qual é realizada a extração mecânica do óleo por prensa helicoidal. O segundo é a extração por solvente, na qual solventes apolares (comumente hexano e isômeros de hexano) são utilizados para extrair o óleo.
Da Redação Sala Agronegocios com Assessorias




